A água deixou de ser um simples bem público de utilização quotidiana para se assumir como um recurso estratégico, indissociável da segurança, da competitividade e da soberania europeia. A última década trouxe à Europa uma sucessão de episódios que tornaram impossível continuar a pensar as infraestruturas de captação, transporte, tratamento e distribuição de água com a lógica patrimonial herdada do século passado. Vagas de calor sucessivas, secas estruturais no Sul, inundações catastróficas em Portugal, Espanha, na Alemanha, na Bélgica e em Itália, e uma pressão crescente sobre a qualidade da água potável obrigam-nos a olhar para estas redes como sistemas críticos, comparáveis em relevância à rede elétrica ou às telecomunicações. É neste contexto que emergem, em sequência rápida, instrumentos europeus que reorganizam por completo a matriz regulatória, financeira e operacional do setor.


