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“A UE não pode focar-se exclusivamente nos veículos elétricos”

O eurodeputado Hélder Sousa Silva afirmou ontem, em Bruxelas, que a indústria automóvel está a atravessar uma mudança histórica, e que a Europa não pode focar-se exclusivamente nos veículos elétricos, pois “corre o risco de comprometer um dos seus maiores ativos industriais: a experiência em sistemas de combustão e híbridos”. A declaração foi feita no decorrer da conferência “UE e Brasil: Melhores práticas para um futuro automotivo competitivo e sustentável”.

O evento, coorganizado por Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação para as relações com a República Federativa do Brasil, e a Horse Powertrain, teve como objetivo abordar a transformação global da indústria automóvel, numa altura em que o mundo enfrenta desafios e oportunidades sem precedentes na criação de um futuro sustentável e competitivo para a mobilidade. Em todo o mundo, governos e fabricantes estão a repensar a forma como os veículos são movidos, produzidos e regulamentados.

A União Europeia (UE) e o Brasil estão a adotar abordagens diferentes, mas complementares, para essa transição.

No caso do Brasil, está a ser implementado o programa MOVER — Mobilidade Verde e Inovação —, numa estratégia tecnologicamente neutra. Em vez de se concentrar exclusivamente em veículos elétricos, o Brasil promove uma combinação diversificada de soluções, incluindo biocombustíveis, como o etanol; tecnologias híbridas; melhorias de eficiência e desenvolvimento industrial local, com o objetivo de atrair investimentos e criar empregos. Desta forma, o modelo promove o crescimento económico e, ao mesmo tempo, reduz as emissões.

Já a União Europeia, através do Acordo Verde ou Pacto Ecológico Europeu, está a priorizar a eletrificação, ambicionando emissões zero até 2035, apoiando a indústria de baterias e incentivando os consumidores a aderirem aos veículos de baixa emissão.

Porém o eurodeputado Hélder Sousa Silva alertou que um futuro elétrico, como a UE está a defender, acarreta alguns riscos, nomeadamente o de comprometer “um dos nossos maiores ativos industriais: a nossa experiência em sistemas de combustão e híbridos. Se não salvaguardarmos e cultivarmos este conhecimento, poderemos ver-nos sobrecarregados pelo afluxo de veículos elétricos chineses aos nossos mercados, comprometendo a nossa competitividade no cenário global”, afirmou o eurodeputado português.

Embora a abordagem europeia estimule a inovação na mobilidade com emissões zero, Hélder Sousa Silva garante que esta também levanta questões críticas sobre os impactos económicos, flexibilidade tecnológica e, em última análise, a competitividade global da indústria automóvel europeia.

Por isso, o eurodeputado eleito pelo PSD defendeu que a UE pode aprender com o Brasil e adotar uma cooperação mais forte para um futuro automóvel sustentável, inovador e competitivo: “a UE deve olhar para o Brasil e ver como a indústria automóvel está em crescimento, devido à neutralidade tecnológica que está a adotar”, afirmou Hélder Sousa Silva.